17 janeiro 2017

ARGENTINA: MENDOZA

REGIOES PRODUTORAS DE VINHO + VINÍCOLAS DE MENDOZA



Mendoza respira vinho, Existe cerca de 500 vinícolas num raio de 50 quilômetros - todas produzindo as melhores uvas Malbec do mundo. A cidade de um milhão de habitantes teve um boom da vinicultura desde e começo dos anos 1990 e entrou para o mapa da gastronomia internacional. Visitá-la é a garantia de conhecer uma cidade repleta de charme, com ótimos restaurantes e vinhos premiados.

I- Maipú

Conhecida como “ co berço do vinho”, a região ainda abriga as bodegas mais tradicionais do país, como Trapiche, Rutini, López e Finca Flichman. Os imigrantes italianos e espanhóis que chegaram ao fim do século XIX não trouxeram apenas a cultura do vinho, mas também a do azeite. A região é a única que dispõe de uma “rota do azeite”, com pousadas temáticas e várias olivícolas. As mais recomendadas são Parsai, Maguay, Laur e Simone. As vinícolas Familia Zuccardi e Tapiz também recebem visitas em sãs olivícolas e produzem azeites excelentes.
O terreno plano e a quantidade e a proximidade das atrações despertou o desejo dos turistas (de todas as idades) em explorar a região com seus próprios pés (no pedal). Para os que desejarem experimentar, sugerimos três roteiros na seção de “vinho por um dia”. Mas, obviamente, ao alugar sua bicicleta – nas ruas Ozamis e Urquiza há várias opções para fazê-lo-, peça todas as dicas e sugestões de roteiro na própria loja. Mais do que um meio de transporte barato, saudável e sustentável, os pedais podem lhe render amizades durante a viagem e, quem sabe, para o resto da vida.

→ ONDE COMER -  dentro das vinícolas de Maipú

- Casa del Visitante (argentino) – Vinícola Familia Zuccardi.
A parrilla dita o clima. Antes de tudo, comece com uma taça do espumante Alma 4 Viogneir! Agora, mais relaxado, escolha entre o menu degustação ou alguma das opções do cardápio. Cuidado; enquanto se espera o prato chegar, é difícil resistir aos deliciosos pães e aos azeites produzidos pela vinícola. Serviço excelente, mesmo com o restaurante sempre cheio.
- Pan & Oliva (saladas e massas) – Vinícola Familia Zuccardi.
Uma proposta diferente: deliciosas entradas, saladas, massas e muito azeite. A decoração te o toque dos Zuccardi, tudo de bom gosto, bem iluminado e confortável. É possível visitar a olivícola, que fica loco atrás do restaurante.

- Tempus Wine Bar (argentino)– Vinícola Tempus Alba.
Um dos pontos de parada favoritos dos bikers. Servem alguns pratos, mas o forte são as opções mais leves, como empanadas e saladas, ideais para acompanhar um taça de vinho e seguir pedalando até a próxima vinícola. O terraço tem uma bela vista dos vinhedos e é sempre a primeira opção.
- Vinícola Zuccardi
Os vinhos Zuccardi são conhecidos por letras: série “A” de Argentina, a linha “Q” de qualidade, e o famoso Zeta, com “Z” de Zuccardi.
A visita começa no centro de visitantes, com espaço de arte e uma loja completa. Após as explicações sobre a linha de produtos, a visita segue para a produção, onde se encontra a área de fermentação e a sala de barricas. A degustação é simples e realizada no espaço de arte ao lado da loja, mas pode ser incrementada nas salas do segundo andar com os vinhos que você desejar, acompanhado por um sommelier.
A programação da vinícola é variada e extravagante, como o passeio em automóveis  de época e o sobrevôo de balão. Uma nova opção é visitar a olivícola (fábrica de azeite), localizada dentro da propriedade logo atrás do restaurante Pan & Oliva... Você conhece alguém que goste de vinho e não aprecie um bom azeite? A vinícola produz vários, e estão disponíveis para degustação nos restaurantes e na loja. São excelentes!


Vinícolas de Maipú

→  LA RURAL/RUTINI  -  MUSEU DO VINHO
Essa não é apenas mais uma das muitas bodegas fundadas por imigrantes italianos, no caso, Felipe Rutini. Seu maior atrativo é o museu do vinho, fundado em 1997, responsável por “cooptar” milhares de turistas durante todo o ano. São mais de cinco mil artefatos em madeira, ferro, aço e tecido animais que ajudam a contar a história do vinho no mundo. Como eram engenhosos, criativos e sedentos nossos antepassados!
Outras vinícolas ao redor do mundo também dispõem de exposição de peças antigas ou mesmo de museus, mas a grande diferença aqui é a assistência dos guias, que explicam desde as origens do vinho até as modernas técnicas utilizadas hoje em dia. Recomendamos a visita, que passa pelo edifício histórico construído em adobe e pelo pequeno vinhedo cujas uvas dão origem ao Museu, um vinho exclusivamente elaborado para os visitantes, servido ao final do tour sem custo.
Em 1994 a vinícola foi vendida a um grupo de investidores dos quais fazem parte os clãs Catena Zapata e Benegas Lynch, ambos da região.

→  VINICOLA TEMPUS ALBA - GENÉTICA E TRADIÇÃO
Alba, em italiano, significa “amanhecer”. Esta pequena vinícola foi batizada assim para enfatizar a importância da passagem de energia entre as gerações da família, assim como entre a noite e o dia, que sempre deve ser comemorada como, um momento de luz e energia.
Histórias à parte, o investimento no futuro é a prioridade. A vinícola é pequena, mas moderna. Em seu laboratório, investigações buscam rastrear “o clone mais puro de Malbec do mundo”. Logo você estará instalado no Tempus Wine Bar para degustação. Os vinhos valem a pena. Prove um Malbec e o Tempus Pleno, assemblage de Malbec com Cabernet Sauvignon.

II- Luján de Cuyo / Vistalba

Esta região é uma das portas de entrada para a Cordilheira e suas estâncias com águas termais, talvez a única opção de lazer mais relaxante do que visitar vinícolas. Na área mais baixa, bairros com casas de alto padrão, pousadas de luxo, cafés e restaurantes gourmet estão transformando Chacras/Vistalba na “bola da vez” de Mendoza. Sua localização, próxima à cidade, é um dos atrativos que fazem muitos viajantes eleger a região como base para suas incursões ao mundo de Baco. Vistalba é mais residencial e bonita, e ainda conta com a vista da Cordilheira. Chacras, mais próxima à Ruta 40, é mais comercial e concentra a gastronomia.


→ ONDE COMER - dentro das vinícolas de Chacras de Coria e Vistalba
- Clos de Chacras (gourmet)– Vinícola Clos de Chacras.
Uma graça. No verão, a dica é sentar no deck em frente ao pequeno lago. Mas para os que sentem frio, há mesas e poltronas no interior da vinícola. Serviço excelente e menu variado. Uma boa opção para jantar às sextas e aos sábados.

- Nieto Senetiner (argentino)– Vinícola Nieto Senetiner.
Cardápio simples, vista linda e vinhos excelentes.

- Restó de Lagarde (argentino)– Vinícola Lagarde.
Menu campestre, elaborado à vista dos clientes em dias de calor. Quatro vinhos e um delicioso espumante harmonizam com os cinco pratos.
             

→ ONDE COMER - fora das vinícolas
- Nadia OF (cozinha de autor) – Italia, 6055, Chacras de Coria – Luján
Não deixe de desfrutar dessa experiência gastronômica. Nadia é exigente e troca o menu degustação semanalmente. Além da criatividade e de modernas técnicas, o sucesso desse pequeno enclave espanhol é a qualidade dos ingredientes, sempre frescos e escolhidos pessoalmente por ela. O preço é fixo, variando apenas em função dos vinhos escolhidos para harmonizar com os pratos. O serviço é atencioso e discreto. São três pequenos ambientes – sala, garagem e quintal. É bom reservar.
- Dantesco (internacional) – Italia, 5829 – Chacras de Coria – Luján.
Vários ambientes pequenos e menu variado, de coelho a frutos do mar. Tudo bem-feito e com serviço atencioso.

ALTA VISTA (& Consulado francês)
Dessa vez não é metáfora. O consulado da França em Mendoza fica mesmo dentro da vinícola. E que ninguém mais duvide da importância do vinho para os franceses!
A origem francesa é percebida pela preocupação com o manejo das seis fincas, que entregam diferentes Malbecs para compor a linha Singe Vineyard. As amostras de solo estão a vista dos visitantes – Impressionante. A proposta da vinícola é fundir o estilo francês e argentino na produção de vinho, o que torna a visita ainda mais interessante. A construção em estilo espanhol é de 1899 e abriga desde piletas de concreto até modernos tanques de aço.
Uma antiga e enorme pileta abriga recepção, loja e balcão de degustação. Todos os móveis foram feitos com o carvalho de barris já utilizados. Caso deseje, a sala de degustação profissional, a única aberta as turistas em toda Mendoza, pode ser reservada. Que tal ima degustação vertical de Alto, o ícone da casa?
Aqui, os espumantes não podem ficar de fora, ainda mais no caso da família D’Aulan, que possui participação na famosa Maison Tattinger, de Reims, na França.

CLOS DE CHACRAS - Reencontro de família
Clos é a palavra francesa para designar um terreno, geralmente plantado com videiras e cercado por muros baixos. O nome dessa jovem vinícola boutique é bem apropriado, já que está “escondida e cercada” pela zona urbana de Chacras de Coria.
A visita é personalizada, sem um roteiro específico. As perguntas vão norteando os caminhos. Visitamos boa parte do tempo os vinhedos recebendo explicações sobre os sistemas de plantio e os efeitos da altitude e da umidade nas uvas. Essa é a vantagem de visitar uma vinícola bem pequena: a visita pode ser moldada pelo interesse dos visitantes.
A segunda parte do tour se concentra nas edificações, que são de 1921. A vinícola, assim como muitas outras na Argentina, encerrou suas atividades quando o consumo de vinho caiu pela metade e ficou abandonada por décadas. Em 1983 foi recomprada pela neta do fundador e começou a produzir vinhos em 2004. Um belo reencontro.
A produção é só de tintos “escassa”. Os vinhos são excelentes e todos estibados por até um ano nas cavas subterrâneas.

→  KAIKEN -  Anjos na Argentina
A vinícola Montes, uma das mais prestigiadas, decide cruzar a Cordilheira para produzir Malbec. Compraram uma bodega de 1930, repleta de piletas de concreto e assim começou uma história de sucesso.
A visita é “caprichada” e sem pressa. A história mais curiosa é a do parral de Cabernet de mais de 90 anos por onde começa o passeio. O parral é um sistema de condução normalmente indicado para uvas de mesa devido a sua produtividade. Este sofria de uma doença degenerativa. A produção era baixa e os enólogos decidiram por replantar a área. Mas, quando foram degustar às cegas, o melhor vinho foi aquele elaborado com as uvas desse vinhedo! Assim, a vinícola decidiu preservar o vinhedo e reproduzi-lo no mesmo local.
A parada seguinte é na únicacalicata de Mendoza, construída exclusivamente para os visitantes. Além do parral italiano, os agrônomos utilizam também os sistemas de espaldeiro baixo (francês) e alto (americano). Na adega, é possível conhecer a fermentação e a cava, protegida pelos anjos.
Além disso, a vinícola ofrece cavalgada, blending game, curso de asado e aula de pintura com vinho. Também é possível fazer uma degustação de Cabernet Sauvignon chileno (Montes Alpha) X argentino (Kaiken Ultra).

LAGARDE - O vinho mais caro de Mendoza é branco!
Fundada em 1897 por Ângelo Pereira, um capitão português. A vinícola mantém sua arquitetura original. O belo casarão abriga a loja e o Restó Lagarde, que serve comida a la parrilla.
Durante a visita nos deparamos com um antigo tonel de 1.800 litros, encontrado em 1975 cheio de Sémillon, safra 1942. Segundo a lenda, o vinho estava em perfeitas condições quando encontrado. Hoje ainda há algumas garrafas sendo vendidas por US$ 400 cada, ou seja, o vinho mais caro de Mendoza! A garrafa é sedutora, mas resolvi não arriscar. Outro ponto alto do tour é acompanhar o processo de dégorgement dos espumantes. A técnica é usada em todo o mundo e tem como objetivo expulsar as leveduras que restaram da segunda fermentação – que, no método tradicional ou champenoise, acontece na garrafa. O gargalo é imerso em uma solução que congela o líquido em poucos minutos, justamente onde as leveduras se acumularam. Ao abrir a tampa, a pressão do gás carbônico expulsa a parte congelada. Completa-se a garrafa, adiciona-se um licor de expedição que varia em função do açúcar desejado e coloca-se a rolha.

LUIGI BOSCA
A família Arizú construiu sua bodega há mais de 100 anos e hoje é uma das mais emblemáticas de Mendoza, em função da alta qualidade de seus vinhos e espumantes.
O tour é pontual e fornece explicações sobre clima e solo. Já dentro das instalações, conhece-se o processo de produção e a enorme umidificada sala de envelhecimento. As instalações são extremamente bem cuidadas. No centro de visitas predominam móveis clássicos, madeira escura e tons sóbrios; tudo refletindo a história e a tradição da família.
O ápice da visita se dá na via crucis del vino, um corredor onde existem catorze esculturas do artista Hugo Leites, que retratam desde a chegada dos imigrantes espanhóis e italianos, até a confraternização da família e dos trabalhadores em torno do vinho produzido com tanta paixão. As esculturas são feitas de cimento e exibidas como quadros. Imperdível, e vale ser registrada em sua câmera.
A linha Gala tem uma garrafa irresistível. Os Gala1, e Gala2 são paixão antiga. O Gala3 é um branco de guarda, assemblage de Viognier, Chardonnay e Riesling. E o Gala 4 é uma nova aposta com Malbec e Cabernet Franc. Os espumantes Bohème e Prestige Rosé os meus prediletos.

MENDEL - Vinhos Excelentes
Uma visita agradável e flexível. Ótimo atendimento. Essa é mais uma das muitas histórias de vinícolas que quebraram nos anos 1980 e 1990, quando o consumo de vinho na no país caiu 70%. Os vinhedos de Malbec de 1928 ficaram abandonados por 25 anos! Algumas partes das instalações possuem mais de 100 anos e foram recuperadas.
A primeira colheita foi em 2004, e a Mendel só coleciona prêmios desde então. O segredo? A obstinação do enólogo Roberto de la Mota em selecionar as uvas. A vinícola não produz vinhos “de entrada”, apenas vinhos Premium – todos passam por carvalho francês, são estruturados e muito bem elaborados.

NIETO SENETINER - Pioneiros em Bonarda
Uma das vinícolas mais tradicionais do país e pioneira na aposta da variedade Bonarda para elaboração de vinhos finos. Conta com dezessete fincas distintas, oferecendo uma ampla combinação de altitudes e solos, muito bem aproveitados pelos enólogos da casa.
Para se chegar à recepção instalada em um casarão do século XIX, você desfila por uma passarela de oliveiras avistando poços nevados no horizonte. A visita começa pelos vinhedos, onde se observa claramente três sistemas de condução: o tradicional parral, trazido por espanhóis e italianos, o espaldeiro americano, de altura mediana, e o espaldeiro europeu, com as uvas mais próximas ao solo.
As instalações são exclusivamente destinadas aos tintos de alta gama das linhas Don Nicanor e Cadus. A visita é agradável, e aprende-se sobre a história do lugar e a evolução da vinificação até os dias de hoje.
A degustação é realizada no próprio restaurante, que possui uma linda vista para os vinhedos. Não deixe de experimentar Don Nicanor Bonarda e algum espumante. Ao final, uma bela loja para as compras (obrigatórias, no caso dessa bodega).

→ VISTALBA
Carlos é o primogênito do clã Pulenta, que conta com os irmãos Hugo e Eduardo, proprietários da vinícola Pulenta Estate. A arquitetura mistura o colonial, presente no estilo, e o moderno, presente nos materiais. O paisagismo “abraça” as instalações com destaque às oliveiras. A vinícola produz o Corte V, um blend com predomínio da variedade Arauco, mais amarga (sempre compro uma garrafa).
A vinícola é pequena e funcional, e o que chama mais atenção é a possibilidade de ver em uma mesma sala, tanques de concreto (sem pintura epóxi, o que é raríssimo), de aço e de carvalho juntos. A sala de barricas possui um teto em arco e é duplamente isolado, garantindo a temperatura ideal sem consumo de energia. A degustação é realizada no subsolo em uma calicata gigante e merece foto.
São duas linhas de vinho. Uma composta de ssemblages ou cortes e a outra varietais. São três cortes – A, B, C – que variam a cada colheita. A linha varietal se chama Tomero, come escolhido em homenagem ao trabalhador responsável por cuidar da irrigação dos vinhedos, tarefa vital no clima árido de Mendoza.

III - Luján de Cuyo - Perdriel
O rio Mendoza separa Pedriel de Vistalba. A zona possui vinícolas famosas, como Norton e Terrazas de los Andes, e tradicionais, como a Cabrini, produtora de vinho de missa. A altitude é de 936 metros e os huarpes foram os habitantes ancestrais da região. O distrito tem por volta de 8 mil habitantes.
Luján de Cujo detém a primeira DOC das Américas, ou seja, a Denominação de Origem Controlada para a Malbec, cepa emblemática do país, trazida da França em 1852, Os vinhos de Luján são mais minerais do que os encontrados no Vale de Uco, que primam pelas notas florais.
→ ONDE COMER dentro das vinícolas.
- Terrazas (gourmet)– Vinícola Terrazas de los Andes.
Exclusivíssimo, para poucos. O melhor serviço de sommelier do guia está aqui. Vinhos excepcionais valorizam ainda mais os pratos cuidadosamente elaborados e apresentados.
- La Vid (argentino/gourmet)– Vinícola Norton
O menu degustação é incredível... mas as opções à la carte também são estupendas (ainda lembro da truta que comi). Harmonize a sobremesa com o espumante Colheita Tardia, que possui inacreditáveis 50 gramas de açúcar e ainda assim tem boa acidez. O restaurante bem que poderia ter a vista do wine bar da vinícola, uma das mais velas da viagem.

Vinícolas de Perdriel


VINICOLA ACHAVAL FERRER - O vinho é feito na planta
O que um advogado, um piloto de corridas, um contador, um instrutor de esqui e um enólogo teriam em comum? Uma grande amizade e muita paixão pelo vinho. Os cinco amigos decidiram começar um projeto: competir com os grandes vinhos e nível mundial. As pontuações alcançadas por seus vinhos (até agora 99 pontos) comprovam que chegaram lá.
O “capricho enológico” é tal que se podam até 80% dos cachos para obter o melhor em termos de concentração para as uvas de suas etiquetas ultra-premium – Fincas Mirador, Bella Vista e Altamira. Os vinhos são “ ao estilo do velho mundo”, potente, gastronômicos, não filtrados e com acidez marcada. O sotaque argentino se faz presente na utilização das piletas de concreto e domínio da Malbec em quase todas as garrafas.
A vinícola está situada na Finca Bella Vista, às margens do “extinto” rio Mendoza, onde os vinhedos dividem espaço com álamos e oliveiras. A visita começa na varanda, onde a saga dos amigos é contada enquanto alguns vinhos sai degustados, “A coisa fica séria” quando você é convidado a entrar na área de produção e degustar vários vinhos ainda amadurecendo em suas barricas. É uma experiência rara no mundo, em se tratando do nível dos vinhos da Achaval – Ferrer.



DANTE ROBINO - ESPUMANTES ARGENTINOS
Por que os espumantes são tão tradicionais na Argentina (e não no Chile, por exemplo)? Dizem que quando a trupe de Gardel foi a Paris mostrar o tango, o sucesso foi tão grande que ficaram lá por um ano. Mas, ao voltarem da Cidade Luz, sentiram falta das pérolas mágicas e insinuantes que emergiam de suas flûtes de cristal nos cabarets parisienses. Desde então, para os argentinos, a bebida está relacionada ao sucesso, ao romantismo, à noite, à dança e ao amor.
A Dante Robino é a maior produtora de espumantes de capital nacional. Esse é o foco da visita que, a critério do visitante, poderá ser coroada com uma degustação de quatro espumantes (combine no ato da reserva). O centro de visitantes é moderno, amplo e confortável.
A principal diferença entre espumantes é a quantidade de açúcar residual por litro.
Nature – até 3g
Brut Nature – de 3g a 7g
Extra Brut – de 7g a 11g
Brut – de 11g a 17g
Demi-sec – de 17g a 30g

→ NORTON - VINHOS E CRISTAIS
Fundada por um engenheiro civil inglês que se apaixonou por uma mendocina. Juntos formaram uma grande família e se dedicaram ao crescimento da vinícola. Ainda hoje é uma empresa familiar... Só que da família austríaca Swarosvki, a Dona da mais prestigiada marca de cristais do mundo.
A vinícola é uma das referências do enoturismo argentino e, sem dúvida, alguns dos muitos programas se encaixará em seu passeio. A recepção é no próprio wine bar.
Somente nessa visita você terá a oportunidade de fazer três degustações durante o processo. A primeira no tanque de fermentação, a segunda diretamente do barril e a terceira em alguma das caves onde milhares de garrafas esperam a hora de ir ao mercado. A experiência é inesquecível, pode acreditar.
A loja é completa e minha dica é comprar um casaco para seguir a viagem mais protegido, e uma garrafa do Elegido, um vinho elaborado exclusivamente para os visitantes.

RENACER - Vinhos Premium do novo mundo
De origem chilena, essa vinícola familiar é especializada em Malbec, fazendo um assemblage de uvas provenientes de várias fincas localizadas em regiões de distintas altitudes. A adega mistura o moderno em termos de arquitetura e tecnologia e técnicas tradicionais de Mendoza, como o uso de piletas de concreto para fermentar e armazenar vinho.
Como um empreendimento recente pode fazer vinhos tão premiados? A resposta está no que hoje se chama de agricultura de precisão que utiliza, dentre outros recursos, fotos de satélites para avaliar o melhor momento de colher cada variedade de uva. O sistema de plantio é o espaldeiro e a produção é de alta densidade, ou seja, mais plantas dividindo o mesmo terreno, porém com menos cachos por planta. O resultado está na garrafa... e punto final.


ROBERTO BONFANTI - Enólogos por tradição
A produção de apenas 50 mil garrafas permite um cuidado extraordinário em todas as etapas de elaboração, sempre regido pelo mantra el vino es tempo, do fundador Roberto Bonfanti. Os visitantes são sempre atendidos pelos donos, que não são enólogos, e sim verdadeiros “artistas dos vinhedos”, pois são quatro gerações plantando uvas.



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